Resenha: "Me chame Pelo Seu Nome", André Anciman

Foto: Intrínseca

Título: Me Chame Pelo Seu Nome
Escritor: André Anciman
Editora: Intrínseca
Páginas: 288
Ano: 2018
Sinopse: A casa onde Elio passa os verões é um verdadeiro paraíso na costa italiana, parada certa de amigos, vizinhos, artistas e intelectuais de todos os lugares. Filho de um importante professor universitário, o jovem está bastante acostumado à rotina de, a cada verão, hospedar por seis semanas na villa da família um novo escritor que, em troca da boa acolhida, ajuda seu pai com correspondências e papeladas. Uma cobiçada residência literária que já atraiu muitos nomes, mas nenhum deles como Oliver.
Elio imediatamente, e sem perceber, se encanta pelo americano de vinte e quatro anos, espontâneo e atraente, que aproveita a temporada para trabalhar em seu manuscrito sobre Heráclito e, sobretudo, desfrutar do verão mediterrâneo. Da antipatia impaciente que parece atravessar o convívio inicial dos dois surge uma paixão que só aumenta à medida que o instável e desconhecido terreno que os separa vai sendo vencido. Uma experiência inesquecível, que os marcará para o resto da vida.
Com rara sensibilidade, André Aciman constrói uma viva e sincera elegia à paixão, em um romance no qual se reconhecem as mais delicadas e brutais emoções da juventude. Uma narrativa magnética, inquieta e profundamente tocante.

"Você é muito inteligente para não saber o quão raro, o quão especial, foi o que vocês dois tiveram."

Elio, de 17 anos, tem o costume de passar as férias de verão em uma propriedade de sua família, que fica na costa de Itália, um lugar que ele mesmo, em sua narração sobre a história, diz ser um lugar muito bonito e agradável, tanto a população local como o clima.

A presença de aspirantes a escritores na casa é algo com o qual já está acostumado, tendo em vista que isso se repete anualmente — seu pai, um homem muito inteligente, os ajuda com seus projetos durante seis semanas, as quais eles passam hospedados lá. O que Elio não sabia, no entanto, é que o convidado daquele ano era alguém tão interessante e diferente dos que ele conheceu.

De forma até então desconhecida por si, ele se vê tendo sentimentos e sensações diferentes por Oliver, no auge de seus 24 anos, que era um homem sem amarras, que gostava de conversar e fazer amizades livremente, sorrindo e sendo simpático e aberto com todos. 

Apesar de terem coisas em comum, as interações entre os dois começam de forma um tanto hostil por parte de Elio por conta de suas inseguranças, e acabam sendo retribuídas por Oliver. Mesmo assim, conforme vão se familiarizando com todos os pensamentos e desejos que aparecem num aspiral constante e confuso, eles acabam se deixando levar, dando início a uma relação que marcaria suas vidas para sempre.

"Por favor, por favor, me diga que estou errado, me diga que imaginei tudo isso porque não pode ser verdade para você também e, se for verdade para você também, então é o homem mais cruel que já existiu."

Confesso que, mesmo vendo toda a repercussão em volta dessa história por causa do filme, eu não tinha muita vontade de ler esse livro. Mas, quando eu estava numa loja, vi que ele estava em promoção e resolvi comprar porque, né, não é sempre que vemos livros famosos baratos. E então eu decidi ler só porque eu gostava muito do design da capa. Fui surpreendida.

Apesar de toda a narração ser feita por Elio, um adolescente, foi uma grande descoberta pra mim ler seus pensamentos e desejos e vontades de forma não honesta e tão humana e tão crua — se me pedissem pra descrever esse livro usando apenas uma palavra, seria essa: cru. 

No primeiro contato que tive com toda a franqueza dele em relação a Oliver, me senti um tanto intimidada e, em alguns momentos, até pensei "meu filho????", mas conforme os capítulos vão passando, a gente entende o que ele quer dizer. Talvez não de forma tão literal, mas como uma identificação de que as coisas que Elio sentia fazem parte da vida e são reais para qualquer pessoa que se atreva a amar como ele amou.

Também foi meio estranho pra mim encarar a diferença de idade entre os dois, mas entendo que a história se passa nos anos 80 e, naquela época, não tínhamos uma visão tão clara das coisas como temos hoje e, eventualmente, isso deixou de ser um problema pra mim. 

E a tal cena do pêssego, a tão famosa cena do pêssego... Bom, não foi nada demais. Pra mim, foi a coisa mais normal do mundo. Não vemos momentos como esse sendo narrados de forma tão (de novo) crua em livros, então entendo a repercussão, mas eu sinceramente não achei isso tudo.

Enfim, no geral, eu gostei esse livro, muito mais do que eu achei que faria. Adorei como o autor narra todos os momentos com intensidade e verdade, sem esconder nada e mostrando até um pouco demais. Sair da zona de conforto quando lemos é legal e, honestamente, acho que ele fez isso impecavelmente. Ele é um grande escritor e isso é algo claro desde a primeira página, o que me deixou ainda mais animada para ler e conhecer a história de Elio e Oliver.

Entendo que esse livro, talvez, não seja o melhor para se indicar para todo mundo porque, como li numa resenha alguns dias atrás e concordo, não são todas as pessoas que entenderiam essa história. De qualquer forma, é uma leitura que vale a pena e que mexe com o coração da gente!

"[...] então, só dessa vez, vire pra mim, ainda que de brincadeira, ou como um adendo que significaria tudo pra mim, e, como fez naquela vez, olhe nos meu olhos, sustente meu olhar e me chame pelo seu nome."

⭐⭐⭐⭐
— quatro estrelas de cinco.

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