Resenha: "A Garota que Você Deixou para Trás", Jojo Moyes

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Foto: Couthi


Título: A Garota que Você Deixou para Trás
Autor: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Páginas: 379
Ano: 2014
Sinopse: Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo — a família, a reputação e a vida — na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra. Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo.

"Ás vezes a vida é uma série de obstáculos, uma questão de colocar um pé na frente do outro. Ás vezes, de repente ela se da conta, é simplesmente uma questão de fé cega.

Narrado em primeira pessoa, na primeira parte do livro nós conhecemos Sophie Lèfevre, uma moça francesa que vive com sua irmã Hèlene, tentando tomar conta e alimentar, mesmo com muita dificuldade, Aurélien, seu irmão mais novo, e os sobrinhos. Na pequena cidade de St. Pèrrone, cuidam do pequeno hotel de família, o Le Coq Rouge, que atualmente serve apenas como um lugar onde alguns vizinhos se juntam para conversar e tomar café, caso tenha. 

É 1916 e todos ali vivem atentos e assustados sob' a tensão da Primeira Guerra Mundial.

Em uma das paredes do que já foi o mais famoso e bonito hotel da cidade, Sophie deixa pendurada "A garota que você deixou pra trás", um quadro que Èdouard, seu marido, pintou dela anos antes, quando moravam de Paris. Com pinceladas únicas, ele a retrata em sua melhor forma: cheia de vitalidade, vida, e sensualidade. É a única lembrança que tem de seu amado, que saiu para lutar no Front há dois anos, sem ter como dar quase nenhuma notícia. 

O quadro e a esperança de vê-lo novamente, é o que a mantém firme, tentando sobreviver á constante fome e o cansaço esmagador de todos os dias.

Tudo segue bem, na medida do possível, até que todos são surpreendido com a chegada de um novo Kommandant, responsável por liderar o grupo de soldados alemães que haviam tomado o controle da cidade já há algum tempo. Esse, pouco tempo depois, solicita que Sophie e a irmã preparem o jantar dos soldados todas as noites e, sem ter a opção de negar, á contragosto, aceitam.

Sophie e Hèlene sofrem todos os dias ao ver tanta comida ser fornecida para que os soldados possam se alimentar, ao mesmo tempo em que elas e as crianças passam dias sem ter o que comer. Mas, aparentemente, o Kommandant é alguém que consegue ver com uma certa gentileza suas dificuldades, e se mostra ser uma pessoa diferente do que todos achavam. E à partir dali, um estranho jogo de interesse, que dá vida á perigosas consequências, começa entre ele e Sophie.

"Quando você voltar, Édouard, juro que serei de novo a garota que você pintou."

Narrado na terceira pessoa, a segunda parte do livro se passa na Inglaterra, em 2006, e nos mostra a rotina da vida de Olivia Halston, uma jovem viúva que, depois de quatro anos, ainda está tentando superar sua perda. David, seu falecido marido, era um grande arquiteto e a sua marca registrada em cada um de seus projetos era o uso criativo do vidro — a casa em que moravam, inclusive, era chamada de "A Casa de Vidro", que já foi parar em famosas revistas de arquitetura e design.

Exatamente no dia em que faziam quatro anos desde o falecimento dele, Liv sente que precisa ficar longe daquela casa cheia de lembranças e, principalmente, de "A garota que você deixou pra trás", o quadro que ganhou como presente de casamento de David em sua lua de mel. A moça pintada na tela a fazia se lembrar que a Olivia daqueles anos já não existia mais; ela não precisava daquela culpa num dia como aquele.

Pela primeira vez em anos, ela decide sair para beber. O que ela não sabia é que, por conta de acontecimentos inesperados, ela conhece Paul McCafferty, um ex-policial muito gentil e sedutor, que causa nela sensações que ela achou ter esquecido — depois de muitos anos, Liv se vê novamente ligada a alguém, e isso a agrada tanto quanto assusta.

Essa ligação, no entanto, faz com que sua vida vire de cabeça para baixo. O pivô disso tudo? Um objeto que tinha um enorme significado para ela, o qual lhe lembrava lindos anos que passou ao lao do amor de sua vida — a garota que você deixou para trás; a moça do quadro que a encarava todas as manhãs, como se pudesse ver através dela.

"O que isso ensina à gente, Sr. McCafferty, é que na vida há coisas muito mais importantes do que vencer."

 Sempre que eu paro para ler um livro da Jojo eu tenho a consciência de que ele jamais será o que eu estou esperando — vai ser melhor. A garota com certeza foi uma grande e bela surpresa pra mim, do começo ao fim. A Jojo tem um talento incrível para escrever histórias de época e, claramente, na primeira parte do livro que se passa na Primeira Guerra Mundial, cada detalhe é impecável. 

Acho que não é surpresa pra ninguém aqui que, se há momentos de grande emoção, eu choro, então eu só gostaria de registrar aqui que nas últimas páginas eu chorei pra caramba. Meu coração ficou quentinho ao ver que tudo o que eu desejei para as personagens durante todo o decorrer da história se tornou realidade. E é impossível não se apaixonar por elas! Ficar com um pouco de raiva pelas atitudes também mas, majoritariamente, você as ama. Elas são muito corajosas e fortes, e acho que isso foi o que mais me conectou a elas.

Eu recomendo muuuuito esse livro, e tenha em mente que, através desse livro, você percebe que nunca é só um quadro.

⭐⭐⭐⭐⭐
— cinco estrelas de cinco. 
Se eu pudesse dar mais, eu daria

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